A lista de 26 convocados da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 mostrou diversidade em clubes, idades e trajetórias. Mas, quando o assunto passa a ser gestão de carreira, o cenário fica muito mais concentrado. Segundo levantamento do ge, apenas dois escritórios representam 11 dos 26 jogadores chamados por Carlo Ancelotti: a Roc Nation Sports, ligada ao rapper Jay-Z, e a Bertolucci Sports, comandada pelo empresário Giuliano Bertolucci.
O dado chama atenção porque revela uma camada menos visível da Seleção. Por trás dos atletas que chegam ao Mundial, existe uma estrutura empresarial cada vez mais forte, profissionalizada e global. A convocação brasileira, portanto, não mostra apenas quem são os jogadores escolhidos por Ancelotti. Mostra também como o futebol de elite passou a funcionar nos bastidores.
A presença de grandes agências no entorno da Seleção reforça uma tendência mundial: carreira de jogador deixou de ser conduzida apenas por talento, clube e empresário individual. Hoje envolve planejamento internacional, gestão de imagem, contratos comerciais, leitura de mercado e relações permanentes com os principais centros do futebol europeu.
⚠️ Bertolucci mantém influência forte sobre a base da Seleção
Giuliano Bertolucci representa seis jogadores convocados para a Copa: Gabriel Magalhães, Ibañez, Marquinhos, Bruno Guimarães, Danilo e Matheus Cunha. O peso desse grupo é significativo porque não se limita a nomes periféricos da lista. São atletas ligados a setores centrais da equipe, especialmente defesa, meio-campo e ataque.
A força de Bertolucci no futebol brasileiro não é nova. O empresário atua há quase 30 anos no mercado e ganhou relevância especialmente a partir dos anos 2000, quando sua atuação se conectou a negociações importantes entre Brasil e Europa. O próprio ge lembra que ele se aproximou de Kia Joorabchian, movimento que ajudou a abrir portas no mercado inglês.
No caso da Seleção, a influência de Bertolucci mostra como alguns agentes deixaram de ser apenas intermediários de transferências e passaram a ocupar posição estratégica na construção das carreiras dos principais jogadores brasileiros. A lógica não é apenas vender bem. É posicionar o atleta no clube certo, no momento certo e dentro de uma rota que preserve valor esportivo e financeiro.
🧠 Roc Nation amplia presença no futebol brasileiro com nomes de impacto global
A Roc Nation Sports aparece na lista com cinco convocados: Douglas Santos, Lucas Paquetá, Endrick, Gabriel Martinelli e Vinícius Júnior. A presença de Vini Jr. e Endrick torna a agência ainda mais relevante do ponto de vista midiático, porque envolve dois dos nomes brasileiros de maior impacto internacional na nova geração.
A empresa fundada por Jay-Z já era conhecida no mercado esportivo e de entretenimento, mas ganhou força no Brasil depois da compra de 51% da TFM Agency, em 2023. O ge aponta que a operação manteve executivos e agentes que já atuavam no país, criando uma estrutura menos dependente da figura do artista e mais conectada ao funcionamento cotidiano do futebol.
Esse ponto é importante porque evita uma leitura superficial. Jay-Z não aparece como alguém sentado em mesa de negociação no dia a dia do futebol brasileiro. O valor da Roc Nation está na estrutura global, na capacidade de posicionamento e na cultura de transformar atletas em marcas internacionais. No futebol atual, isso importa quase tanto quanto uma boa transferência.
📊 Convocação escancara concentração de mercado no futebol de elite
O fato de duas agências representarem quase metade da Seleção Brasileira ajuda a explicar como o mercado se tornou concentrado. Grandes escritórios atraem grandes jogadores porque já possuem acesso aos maiores clubes, experiência em negociações complexas e histórico de valorização de carreira. Esse ciclo se retroalimenta: quanto mais atletas de elite uma agência tem, maior seu poder de atração sobre novos talentos.
Pessoas do mercado que apontaram exatamente esse mecanismo. Portfólios com astros internacionais funcionam como vitrine para convencer jovens jogadores e suas famílias de que determinado escritório pode abrir caminhos em clubes de primeira linha. Além disso, essas empresas costumam trabalhar com acompanhamento mais amplo, envolvendo não apenas contratos, mas também imagem, suporte, estratégia e relações internacionais.
Esse movimento altera a forma como o futebol brasileiro exporta talentos. A ida para a Europa deixou de ser um salto isolado e passou a ser parte de uma estratégia desenhada desde cedo. Quando um jogador chega à Seleção principal, muitas vezes ele já atravessou anos de construção empresarial nos bastidores.

⚠️ Ex-jogadores e agentes estrangeiros também aparecem no mapa da convocação
Apesar da concentração em Roc Nation e Bertolucci Sports, a lista brasileira também revela outros movimentos interessantes no mercado. O ge destacou que ex-jogadores vêm ocupando espaço cada vez maior no agenciamento. Léo Pereira, por exemplo, é representado pelo ex-zagueiro Ricardo Scheidt, enquanto Igor Thiago trabalha com o ex-meia Hugo, campeão brasileiro por Corinthians e São Paulo.
Há ainda convocados ligados a empresários estrangeiros. Ederson e Fabinho são agenciados por Jorge Mendes, um dos nomes mais influentes do futebol mundial e também ligado à carreira de Cristiano Ronaldo. Casemiro, por sua vez, trabalha com a empresa espanhola Best of You.
Esse desenho mostra que a Seleção Brasileira se tornou reflexo direto da globalização do mercado. O jogador brasileiro continua sendo formado em diferentes regiões do país, mas sua carreira rapidamente passa a circular por escritórios internacionais, redes de influência europeias e estruturas comerciais que operam em escala global.
🧠 Copa do Mundo virou vitrine esportiva e empresarial
A Copa do Mundo continua sendo o maior palco esportivo do futebol, mas também virou uma das vitrines comerciais mais importantes para jogadores, clubes e agências. Um bom desempenho no Mundial pode mudar valor de mercado, acelerar transferência, ampliar contratos publicitários e reposicionar a carreira de um atleta em poucos jogos.
Por isso, a presença de grandes empresas em torno dos convocados não é detalhe menor. Roc Nation e Bertolucci Sports não estão apenas representando jogadores que chegaram à Seleção. Elas acompanham ativos esportivos que podem se valorizar de forma gigantesca durante o torneio.
A lógica do futebol moderno é essa: o Mundial ainda é vencido em campo, mas muita coisa é disputada antes e depois dele, em salas de reunião, contratos, direitos de imagem, posicionamento de marca e negociações internacionais.

🔥 Conclusão
O levantamento sobre Roc Nation Sports e Bertolucci Sports mostra que a convocação da Seleção Brasileira para a Copa de 2026 vai muito além da escolha técnica de Carlo Ancelotti. A lista também revela como o futebol brasileiro está profundamente conectado a grandes estruturas empresariais globais.
Bertolucci mantém influência forte sobre jogadores importantes da defesa e do meio-campo. A Roc Nation cresce com nomes de enorme apelo internacional, como Vinícius Júnior e Endrick. Ao redor deles, ex-jogadores, agentes estrangeiros e empresas globais completam um mapa que mostra a complexidade atual do mercado.
A Seleção continua sendo brasileira pela camisa, pela formação e pelo talento. Mas a gestão das carreiras dos principais atletas já pertence a uma engrenagem muito maior, mais profissional e muito mais poderosa do que o torcedor comum costuma enxergar.










